Justiça determina bloqueio de R$ 38,5 milhões de ex-governador do RJ

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio, determinou o bloqueio de R$ 38,5 milhões de uma conta encontrada em nome do ex-governador Sérgio Cabral, que está preso em Bangu, na Zona Oeste do Rio, desde novembro. O dinheiro estava num fundo de investimento. Até agora esse dinheiro era desconhecido. A reportagem foi publicada nesta sexta-feira (13), no jornal O Globo.
Segundo o juiz Marcelo Bretas, os R$ 38,5 milhões foram descobertos depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviou a informação ao Ministério Público Federal. Na decisão, o juiz determinou que fosse enviado um ofício à instituição financeira BEM DTVM SA para que faça o bloqueio em 24 horas.
Ele determinou também que o dinheiro fique retido porque o montante bloqueado até agora no processo "não atingiu o valor máximo determinado" em sentença anterior, de novembro do ano passado.
Os investigadores suspeitam que o grupo ligado ao ex-governador tenha desviado cerca de R$ 224 milhões dos cofres públicos em propinas de obras executadas no estado do Rio. O valor encontrado agora surpreende porque, no ano passado, em outro processo relacionado à Operação Calicute, que tramita em Curitiba, o Banco Central informou ao juiz Sérgio Moro ter encontrado apenas R$ 454 nas contas do ex-governador.
Na última eleição em que concorreu, em 2010, quando foi reeleito governador do Rio, Sergio Cabral tinha declarado à justiça eleitoral um total de R$ 843 mil em bens.
Na última declaração eleitoral, o ex-governador relatou que tinha cotas em seis fundos de investimentos. O maior valor, porém, não passava de R$ 89 mil.
Ainda de acordo com o jornal O Globo, "Os R$ 38,5 milhões encontrados pelo Coaf no fundo pertencente a Cabral estão muito próximos de um valor informado no ano passado por três ex-executivos da Andrade Gutierrez e também citado num documento do acordo de leniência da Carioca Engenharia, como sendo propina dada ao ex-governador. À época, eles citaram que as empreiteiras teriam pagado R$ 38,4 milhões para obter vantagens indevidas.
O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, foi preso no dia 17 de novembro do ano passado, na Operação Calicute. Na mesma operação, foram apreendidas centenas de joias compradas por Cabral e a mulher, Adriana Ancelmo, que também está presa. Os investigadores suspeitam que elas tenham sido adquiridas com o objetivo de lavar dinheiro oriundo de propina.




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