Ranieri busca redenção após carreira de desencontros até com Romário

Dois destinos que se cruzam em Londres, o de Dorando Pietri, que morreu há 74 anos, e o de Claudio Ranieri, de 65. O primeiro, um maratonista, o segundo, o treinador do Leicester, que persegue há três décadas o sonho de vencer um campeonato de primeira divisão na Europa.

Na capital inglesa, o corredor liderou os quase 42 quilômetros dos Jogos Olímpicos de 1908, mas um desmaio perto da meta o impediu de cruzar a linha de chegada sozinho. Nos últimos metros foi auxiliado por um juiz e um médico e, embora tivesse sido o primeiro, acabou sendo desqualificado da prova. A medalha de ouro escapou, mas a sua história emocionou o mundo e marcou os italianos.

Ranieri conseguiu emocionar os amantes do futebol só com a proeza de levar um modesto time como o Leicester, composto por jogadores que há bem pouco tempo não eram sequer profissionais, a um passo de vencer o título da milionária Premier League. A linha de chegada é em Londres, exatamente como a do compatriota Dorando Pietri. Dia 15 de maio, diante do seu ex-time, o Chelsea, poderá saborear a conquista do troféu que já tem quase nas mãos, mas que ainda não agarrou. Mas, a três rodadas do fim, o segundo colocado Tottenham não parece disposto a jogar a toalha. E a sombra de Dorando Pietri preocupa os italianos.

Alguns de seus compatriotas temem que Ranieri possa ter o fim do maratonista, até porque o passado recente e o currículo não falam a seu favor. Conhecido pelo seu estilo rígido com os jogadores e alguns maus relacionamentos com os astros do time, como aconteceu com Romário no Valencia, o treinador de Roma nunca conseguiu ir mais além de quatro vice-campeonatos nas ligas nacionais, apesar de ter treinado times como Juventus, Chelsea, Atlético de Madrid, Roma e Internazionale.
- A gente diz aqui em Roma que ele é um "perdedor de sucesso", porque nunca vence, mas tem uma grandíssima popularidade. Eu acho que desta vez ele vai conseguir. É uma história maravilhosa esta do Leicester, eu torço para ele resistir, manter o sonho em pé, porque é uma ótima pessoa e eu não quero ver mais um italiano ter o mesmo fim do Dorando Pietri em Londres - disse o jornalista Marco Cherubini, do canal "Mediaset".

As coincidências de datas, personagens e cidades não para por aí. Neste 25 de abril, o Tottenham recebe o West Bromwich (o GloboEsporte.com transmite em Tempo Real às 16h), para tentar manter os cinco pontos de diferença para o Leicester, que tem uma partida muito complicada na próxima semana, contra o Manchester United, em Old Trafford. Esse jogo pode ser a chave do campeonato.
Há exatamente seis anos, ao fim do quarto mês de 2010, o Roma de Ranieri, então líder do Campeonato Italiano, sofreu um contragolpe surpreendente que o levou a perder o título para o Internazionale treinada pelo português José Mourinho. Era um jogo considerado fácil entre o time da capital e o Sampdoria, no estádio Olímpico. Saiu na frente, com um gol de Totti, mas sofreu a virada nas duas únicas chances criadas pela equipe de Gênova, vitoriosa por 2 a 1 no fim. Sorriu o técnico luso, que, a quatro rodadas do fim da competição, ultrapassou os "giallorossi" por dois pontos e nunca mais perdeu essa pequena, mas preciosa vantagem.

- Ranieri é um bom treinador, mas, por vezes, lhe faltou um pouco de sorte. Este ano, ele também está tendo a sorte em alguns jogos que não teve no passado. Mas a grande mancha da carreira de Ranieri é que ele acabou só construindo e nunca vencendo. Ele construiu o projeto no Valencia, que depois o Cuper e o Benitez pegaram para vencer. Fez o mesmo no Chelsea, antes da chegada de Mourinho, e no Monaco também. Este ano, ele merece o título, e espero que o time não sofra com esta tensão e pressão final - afirmou o comentarista Massimo Marianella, da Sky Itália, amigo de Ranieri.

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