Primeira advogada transexual a atuar no STF diz que é 'sobrevivente'


Primeira advogada transexual a subir à tribuna do STF (Supremo tribunal Federal), Gisele Alessandra Schmidt disse nesta quarta-feira (7) que é "uma sobrevivente".

Ela falou em nome da ONG Grupo Dignidade pela cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, para se manifestar em uma ação ajuizada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) para que os transexuais tenham o direito de trocar de nome e sexo no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de mudança de sexo.

"Sinto que estou fazendo história. Mas se estou aqui perante vossas excelências é porque sou uma sobrevivente", disse Schmidt.

"Sobrevivi ao apedrejamento moral e físico, à proibição de estar na rua e nos espaços públicos, mesmo que à luz do dia", afirmou.

Essa foi também a primeira sustentação oral da carreira de Schimidt, de dois anos de advocacia, que debutou na mais alta corte do país.

A advogada discorreu sobre as dificuldades que travestis e transexuais têm no país e sobre as violências a que estão sujeitas.

Schmidt citou dado de uma organização internacional de defesa dos direitos dos transexuais sobre violência de gênero: apenas no ano passado, 130 pessoas foram assassinadas no Brasil.

"A imensa maioria de travestis, transexuais e homens trans não teve as oportunidades que eu tive. Estão à margem de qualquer tutela", acrescentou.

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