Políticos ausentes na lista de Fachin temem novas fases da Lava Jato
No Senado Federal mais de um terço dos 81 integrantes da Casa estão na mira da Operação. Na Câmara a porcentagem é menor: aproximadamente 10% dos 513 deputados é alvo de inquérito. Mas aqueles que hoje respiram aliviados, amanhã podem ser a bola da vez, segundo procuradores responsáveis pelo caso. A priori, estar fora da Lava Jato pode ser um trunfo para o ano eleitoral que se avizinha, mas não é atestado idoneidade: aproximadamente 60% dos deputados têm pendências judiciais, de acordo com dados da ONG Transparência Brasil. Além de outros processos, boa parte referentes a contas rejeitadas, existe a situação de parlamentares que receberam doações irregulares e pagamentos de propinas feitas por setores que não o da construção civil, em transações que ainda não foram esmiuçadas pelo Ministério Público Federal.
Especialistas acreditam que esquemas semelhantes ao investigado pela Lava Jato, com doações e propinas em troca de aprovação de leis e favorecimento em contratos, devem ocorrem envolvendo outros grandes doadores, como bancos, frigoríficos e planos de saúde. Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos procuradores da Lava Jato, afirmou ao Estado de S.Paulo que a prática da compra do poder público se espalha “por todo o espectro empresarial”, e que “o setor de empreiteiras [não] é o único”.
O grupo JBS, por exemplo, recentemente se viu envolvido em um escândalo de pagamento de propinas para conseguir certificados de vigilância sanitária durante a operação Carne Fraca. A Polícia Federal chegou a afirmar que parte do valor era destinado a políticos do PMDB e PP, mas não deu detalhes nem divulgou os nomes envolvidos. A empresa, dona das marcas Friboi e Seara, foi a maior doadora da campanha de 2014: 52 milhões de reais repassados a dezenas de candidatos e partidos.
Vários setores empresariais, não apenas as construtoras, apostam em doações de campanha para terem contemplados seus interesses econômicos no Congresso e no Planalto. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, deputado federal pelo PP do Paraná licenciado, defendeu no ano passado uma redução do Sistema Único de Saúde (SUS). O pepista também advogou por uma presença maior de planos de saúde “acessíveis” no mercado para suprir a demanda provocada por uma eventual diminuição dos recursos na Saúde Pública. “Quanto mais gente tiver plano de saúde, melhor”, afirmou em agosto passado. Barros teve a campanha eleitoral bancada pelo empresário Elon Gomes de Almeida, presidente da Aliança, empresa que administra alguns dos principais planos de saúde do país. Ele doou 100.000 reais ao então candidato. O ministro afirmou que a doação foi legal e declarada, e representou uma pequena parcela do total arrecadado.
A Lava Jato já chegou a farejar irregularidades no setor: no início de 2016 a Operação começou a apurar um possível esquema de pagamento de propina na Postal Saúde, companhia privada que gerencia os planos de assistência de funcionários dos Correios. Até o momento não foram divulgados mais detalhes. Em sua delação premiada, o ex-senador Delcídio Amaral sugeriu que os planos de saúde e indústrias farmacêuticas têm despertado o interesse dos políticos, em uma nova frente de arrecadação ilegal. Os parlamentares disputariam indicações de cargos na Agência Nacional de Saúde (ANS) e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de onde cobrariam propinas para facilitar os trâmites envolvendo as companhias.
Leia mais no MSN
Cursos sem mensalidades e 100% online a partir de R$ 29,90
Curso de Empreendedorismo
Curso de Redes Sociais
Curso de Inglês
