Lula ‘vendeu fumaça’, diz Procuradoria
A nova denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira na Operação Zelotes, diz que o petista ‘vendeu fumaça’ no episódio da compra de 36 caças Gripen e da prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627. Na condição de ex-presidente, Lula teria exercido tráfico de influência entre 2013 e 2015, em favor de seu filho Luis Cláudio Lula da Silva, também acusado pela Procuradoria da República. Luis Cláudio teria recebido R$ 2,5 milhões em “vantagens indevidas”. O contrato entre o governo brasileiro e a empresa SAAB, no valor de U$ 5,4 bilhões, foi assinado em outubro de 2014.
A ação do Ministério Público Federal detalha que o processo da compra dos caças Gripen se arrastou por oito anos. O edital para “a maior aquisição militar da América Latina” e que viabilizaria o chamado Projeto FX -2 foi lançado em 2006.
Segundo a Procuradoria, em 2014, o governo brasileiro firmou contrato com a empresa SAAB para o fornecimento das aeronaves. A empresa sueca teve como concorrentes um modelo francês (Rafale) que, em 2009, chegou a ser anunciado como vencedor da licitação pelo então presidente Lula , e um americano (Super Hornet), que por algum tempo (2011 e meados de 2012), foi o preferido da presidente Dilma Roussef.
Em declarações dadas ao Ministério Público Federal, o representante da SAAB afirmou que, nesse período, a empresa acreditou que seria preterida pelos americanos. “Joguei a toalha”, disse Bengt Janér.
O Ministério Público Federal sustenta que houve uma nova investida por parte da empresa sueca que já possuía um contrato indireto com a M&M (via Quadricon) e que, em agosto de 2012, passou a trabalhar diretamente com os brasileiros.
As investigações da força-tarefa da Zelotes revelaram que, ao todo, a M&M recebeu da SAAB € 1,84 milhão, sendo € 744 mil apenas entre 2011 e 2015. A explicação para esse reforço nos pagamentos está, segundo os investigadores, no fato de os lobistas Mauro e Cristina terem convencido os suecos que possuíam proximidade com o ex-presidente e que poderia contar com a sua influência junto ao governo para assegurar uma vitória na disputa concorrencial.
“Assim, argumentos técnicos e indicadores de eficiência tornaram-se meros detalhes diante das jactadas proximidade e amizade a agentes públicos federais”, destacam os autores da ação.