CPI do Futebol volta a se reunir e senadores apresentam dois relatórios


Após mais de sete meses de poucas movimentações, a CPI do Futebol voltou a se reunir nesta quarta-feira, no Senado Federal, em Brasília, para sessão agitada. A 29 dias do prazo para encerramento dos trabalhos, os parlamentares debateram o documento final elaborado pelo relator, Romero Jucá (PMBD-RR). O texto foi considerado inconsistente pelo presidente da comissão, Romário (PSB-RJ) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que apresentaram um relatório paralelo.  Após a divulgação dos dois relatórios, houve um pedido conjunto de vistas dos senadores para analisarem os documentos. Uma nova reunião da CPI deve ser marcada para a próxima semana, onde deve ser colocado em votação o documento oficial.
CPI do Futebol se reuniu nesta quarta-feira no Senado Federal (Foto: Fabrício Marques)CPI do Futebol se reuniu nesta quarta-feira no Senado Federal 
Os relatórios são completamente diferentes. O documento de Jucá propõe mudanças na legislação e, sobre as possíveis irregularidades envolvendo dirigentes,  diz em trecho que "eventuais medidas coercitivas e de repressão a atos ilícitos talvez se façam necessárias". O texto destaca que, entre os documentos analisados pela CPI, foram encontradas operações que envolvem dirigentes e ex-dirigentes da CBF e entidades ou empresas que compõem a estrutura do futebol brasileiro. A sugestão é que todo o material seja encaminhado para que autoridades competentes do Poder Público Federal aprofundem as investigações.
O relatório paralelo, por sua vez, faz uma série de acusações a dirigentes e pede o indiciamento de nove pessoas por crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro. Entre os acusados pelo relatório escrito por Romário e Randolfe Rodrigues estão o atual presidente da CBF, Marco Polo del Nero; os ex-presidentes da entidade Ricardo Teixeira e José Maria Marin; o ex-diretor financeiro da CBF Antonio Osório da Costa; o ex-diretor jurídico da entidade Carlos Eugênio Lopes; o presidente da Federação Capixaba Marco Antonio Vicente; o prefeito de Boca da Mata-AL e ex-presidente da Federação Alagoana Gustavo Feijó; e os empresários Kleber Leite e José Hawilla.

A volta dos trabalhos na CPI do Futebol ocorre mais de sete meses após a última reunião, que tinha sido realizada no dia 6 de abril. Na ocasião, a sessão foi marcada por polêmicas em torno da votação de requerimentos para convocações de Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira. Na sequência, a comissão acabou abafada diante da tramitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff e outros temas ligados a crise política do país. O prazo para encerramento da CPI venceu em agosto, mas Romário conseguiu assinaturas suficientes para prorrogar os trabalhos até 22 de dezembro. Porém, os senadores não voltaram a se reunir até esta quarta-feira.
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