Ao som de batidas de coração, Bolt paralisa noitada na Casa da Jamaica

Quando o reggae dava lugar a batidas de coração nos potentes subwoofers instalados na Casa da Jamaica, a pequena multidão que aproveitava o pedacinho do país caribenho instalado no Jockey Club Brasileiro durante a Rio 2016 se voltava para o telão. Era a hora de ver Usain Bolt. Intervalo no bate-papo, na dança, na paquera, na fila do bar. Afinal, a história seria feita em menos de dez segundos. O terceiro ouro olímpico do raio que frustrou Justin Gatlin - que chegou a liderar boa parte dos 100m rasos - foi o estopim para a euforia, e um ótimo pretexto para a noitada regada a rum e cerveja da terra do atleta seguir a todo vapor. Jamaicanos residentes em várias partes do mundo vibraram com a prova. E brasileiros reverenciaram um campeão de velocidade e de carisma.

A tranquilidade e irreverência habituais de Bolt não evitaram instantes de tensão. Teve gente roendo unha quando a largada foi queimada na semifinal - se a falha fosse do jamaicano, estaria encerrado o sonho do tri. A vitória tranquila foi acompanhada também nas telinhas de dezenas de celulares buscando registrar cenas da noite histórica. A partir dali, ninguém parecia ter dúvida de que era, novamente, a vez dele, a hora de fazer o que ninguém jamais havia feito, o momento de vencer os 100m rasos pela terceira vez.

Em seguida, outro jamaicano na pista. Se Bolt inspirou certeza, Yohan Blake deixou dúvidas. Alex, uma simpática jamaicana que estuda engenharia de som em Londres, previu que nem tudo estava tão bem assim para o time do seu país. Deixado para trás pelo americano Gatlin na semi, Blake mostraria mais tarde que a preocupação era justificada. Acabou fora do pódio. Quanto a Bolt, Alex resumiu afirmando que estava "calmo como de costume". A atmosfera carioca contagiou:

- A atmosfera é incrível, o Rio é uma cidade incrível e ter os Jogos aqui é maravilhoso. As pessoas são tão legais, estão aqui torcendo pela Jamaica e nunca estiveram lá. É muito diferente, na Jamaica temos potes e ficamos batendo na hora de torcer. Gatlin está pressionando, vai ganhar medalha. Quanto ao Blake, acabei de ver a semifinal e não sei muito o que esperar. O ouro é do Bolt. Ele está calmo como de costume, definitivamente ele está com tudo sob controle.

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