Caro e sem vaga no Catar, Muriqui diz abrir mão de dinheiro por volta ao país

Na tela da TV, o Barcelona vence o Levante pelo Campeonato Espanhol. Logo em seguida, uma partida do Campeonato Inglês para movimentar a tarde de domingo. No sofá de um luxuoso apartamento em Doha, resta a um dos maiores salários do futebol do Catar passar o tempo vendo as estrelas do futebol mundial em campo enquanto aguarda a definição do seu futuro. Com contrato de US$ 3 milhões (R$ 11,7 milhões) por temporada, válido por mais um ano e meio, o atacante Muriqui soube na última segunda-feira que está fora dos planos do Al Sadd e não sabe onde jogará em 2016. Sua vontade é voltar para o Brasil e tentar repetir em casa o brilho que teve bem longe. Mas, com a situação atual do país e a alta do dólar, algum clube teria tanto dinheiro assim para investir em um jogador não tão badalado no mercado nacional?

- Para me pagar o que eu ganho aqui, não. Eu teria que abrir mão de muita coisa. Eu tenho uma situação confortável financeiramente e, hoje, estou vendo mais meu lado profissional que financeiro. Minha esposa não quer voltar, viver aqui é muito melhor. Temos segurança, meu filho pode aprender outras línguas... Seria mais prático continuar aqui, mas tenho desejo no meu coração de voltar. Não sei se vou conseguir agora. Conquistei muita coisa na Ásia, coletivamente e individualmente. Tenho esse desejo de voltar. Quero ser campeão, brigar para ganhar a Libertadores, o Brasileiro. Creio que no futebol asiático eu venci, mas agora quero vencer dentro do meu país – disse Muriqui.
Muriqui no Catar (Foto: Thiago Dias / GloboEsporte.com)Muriqui  (Foto: Thiago Dias / GloboEsporte.com)

 O atleta que trocou o Galo aos 24 anos pelo então desconhecido mercado chinês, em 2010, hoje colhe os frutos da aposta no futebol asiático. Na China, virou ídolo ao ajudar o Guangzhou Evergrande a sair da Segunda Divisão e tornar-se o bicho papão do continente: foram quatro títulos nacionais e uma Liga dos Campeões com o clube, que hoje já soma mais um Chinês e outra Champions da Ásia. Em julho de 2014, um ano antes de Xavi desembarcar no Al Sadd, Muriqui chegava ao Catar contratado por US$ 8 milhões. Mora em uma cobertura do badalado bairro Pearl e tem como vizinhos, por exemplo, lojas da Ferrari e da Rolls Royce. Dentro de campo, o brasileiro estava fazendo a sua parte. No ano passado, marcou os dois gols da vitória de 2 a 1 sobre o El Jaish na final da Copa do Emir de 2015, que garantiram o título e a classificação para a Liga dos Campeões desta temporada. Porém, no dia do fechamento da janela de contratações no Catar, o atleta soube que estava fora da relação de inscritos no torneio continental e que não disputaria mais nem o campeonato nacional.

- Estou fora da competição que eu ajudei o time a se classificar... Se eu soubesse não tinha feito os gols (risos) – brincou o atacante, hoje com 29 anos.
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