Uefa dá sinal sobre candidatura de Platini à Fifa e volta atrás em boicote

A Uefa mudou de posição em relação às Copas do Mundo de 2018 na Rússia e 2022 no Catar. Antes da renúncia de Joseph Blatter ao cargo de presidente da Fifa, Michel Platini havia anunciado que o Comitê Executivo da entidade ponderava um boicote às próximas duas edições do Mundial, caso Blatter fosse novamente reeleito. Depois disso, o suíço foi realmente reeleito, mas decidiu renunciar ao cargo, anunciando novas eleições, às quais ele próprio poderá se recandidatar.

A estratégia de Blatter surpreendeu a própria Uefa que pondera agora apoiar a candidatura do atual presidente, Platini, ao comando da Fifa. Dito isso, Platini voltou atrás no possível boicote, uma discussão que poderia custar muitos votos ao francês na corrida à Fifa. O ex-jogador do Juventus não se pronunciou durante o Comitê Executivo da Uefa, em Praga, mas o secretário-geral, Gianni Infantino, foi claro sobre a mudança de estratégia de Platini. 

- Não falamos sobre isso agora, claro que esse encontro de 6 de junho foi cancelado, porque estavam saindo notícias todos os dias e continuam saindo ainda agora. E, nesses casos, por vezes, é preciso só sentar e não ser emotivo, analisar as situações com calma. Os Comitês Executivos da Fifa e Uefa têm grandes responsabilidades, a gente tem de governar o futebol e não é uma coisa que podemos simplesmente fazer estalando os dedos. Sabemos que o Blatter anunciou que ele iria renunciar e agora vai haver um novo congresso e novas eleições, por isso há muitos fatos novos que têm de ser levados em conta e, como eu disse, nós vamos saber mais sobre as posições de cada um depois do Comitê Executivo da Fifa de 20 de julho - anunciou Infantino, que nesta terça-feira falou em nome de Platini, que preferiu não aparecer diante da imprensa.

Durante a coletiva, Infantino voltou a defender a manutenção da Copa no Catar entre 19 de novembro e 23 de dezembro, demonstrando mais uma vez a evidente mudança de posição da Uefa. Questionado sobre a posição da liga espanhola, que apelou à Fifa pela mudança das datas, Infantino disse que a escolhas democráticas devem ser respeitadas e criticou diretamente o presidente da liga, Javier Tebas.

- Eu penso que a Liga Espanhola tinha concordado com a datas escolhidas para a Copa do Catar. A gente tem de ser um pouco mais razoável e pragmático nesses casos. A Copa do Mundo é a melhor competição de seleções do mundo e tem de ser disputada nas melhores condições. Se isso significar que em 150 anos de história de futebol nós mudemos um ano o calendário não será o fim do mundo. É claro que não é o cenário ideal, mas a Uefa concordou com isso. A maioria das ligas, incluindo a espanhola, ficou contente com essa opção, por isso não sei se agora o presidente está buscando alguma publicidade, mas é triste ver que as decisões da maioria não são aceitas, porque senão não vamos poder tomar nenhuma decisão nunca e em lugar algum.

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