Obama dá apoio cauteloso às negociações por um acordo na Ucrânia
O presidente americano, Barack Obama, recusou-se a descartar o envio de armas à Ucrânia nesta segunda-feira, mas afirmou que aguardará para ver se os esforços diplomáticos liderados pela Alemanha para selar um cessar-fogo terá êxito antes de tomar uma decisão.
Ao receber a chanceler alemã, Angela Merkel, na Casa Branca, para conversar sobre a crise regional, Obama expressou ceticismo sobre a possibilidade de alcançar um acordo com a Rússia para por fim aos 10 meses de derramamento de sangue.
A economia russa foi afetada após o aprofundamento das sanções do Ocidente, mas a medida falhou em dissuadir o governo de Vladimir Putin a apoiar e armar os rebeldes ucranianos.
"Minha esperança com estes esforços diplomáticos é que estes custos (econômicos) se tornaram suficientemente altos para que Putin prefira uma solução diplomática", disse Obama à imprensa, ao lado de Merkel.
"Não vou me antecipar sobre se (os diálogos) são ou não bem sucedidos. Se não forem, aumentaremos os custos e não cederemos nisto", acrescentou o presidente.
Obama afirmou que novas sanções e uma controversa assistência em "defesa letal" para a Ucrânia estão sobre a mesa, deixando tácita a distinção entre armas defensivas e ofensivas, o que permitiria a Kiev responder aos rebeldes, apoiados pela Rússia.
Merkel se opôs a enviar armas, advertindo que isto poderia gerar uma escalada para a guerra, que a Ucrânia não poderia vencer contra as forças russas, muito mais robustas.
Mas ela admitiu que um guia para se alcançar um acordo de cessar-fogo com Putin - inclusive depois de rejeitar acordos prévios - poderia não ocorrer.
"Não temos garantias", disse, em coletiva de imprensa, antes de continuar as conversações desta semana. "Não posso dar uma garantia sobre o resultado das conversações da quarta-feira e talvez nada saia disso", prosseguiu.
"Eu, pessoalmente, não poderia viver sem ao menos fazer esta tentativa", acrescentou.
O conflito deixou mais de 5.000 mortos.
Com o aumento diário da violência, as apostas aumentaram ainda mais, enquanto os rebeldes pró-russos avançaram mais no território ucraniano.
Kiev afirmou nesta segunda-feira que pelo menos 1.500 soldados russos e comboios militares entraram na Ucrânia no fim de semana. O porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, acrescentou que cerca de 170 veículos, incluindo caminhões, tanques carregados de petróleo e carros, também cruzaram a fronteira.
"Se nos rendermos em torno do princípio de integridade territorial, não seremos capazes de manter a paz e a ordem da Europa", advertiu Merkel.
Obama deu credibilidade à perspectiva de que a Ucrânia, a Rússia e toda a Europa se encontram agora em uma encruzilhada.
"Concordamos plenamente em que o século XXI não pode ser perdido, não podemos ficar imóveis e simplesmente permitir que as fronteiras da Europa sejam redesenhadas à força", disse o presidente.
Conversar e não guerrear
Enquanto isso, funcionários de Ucrânia, Rússia, Alemanha e França costuravam os detalhes de uma cúpula que reunirá os quatro países na quarta-feira.
Antes de uma possível cúpula em Minsk, a União Europeia decidiu aguardar antes de implementar novas sanções contra a Rússia, abrindo espaço para conversações.
"A aplicação (de sanções) foi adiada por vários dias a pedido dos ucranianos, que queriam que a outra parte não tivesse nenhum pretexto para se negar às negociações ou negociar de uma forma não construtiva na cúpula de Minsk, na quarta-feira, se é que ocorrerá", disse à AFP o ministro lituano das Relações Exteriores, Linas Linkevicius.
Os chanceleres da União Europeia concordam em não adicionar mais assinaturas à lista de sanções contra Moscou.
Putin advertiu que um "número de pontos" ainda deve ser definido antes da cúpula de Minsk e se esperavam discussões intensas, enquanto os funcionários das chancelarias dos quatro países se reuniam em Berlim.
Baseados em um acordo de paz amplamente ignorado, alcançado em setembro em Minsk, o novo plano poderá estender o controle dos rebeldes sobre o território que eles conquistaram nas últimas semanas, apesar de Kiev estar firme em que a linha de demarcação acertada em setembro não deve ser modificada.
O presidente francês, François Hollande, diz que a proposta inclui a criação de uma zona desmilitarizada de 50 a 70 quilômetros em volta da atual linha de frente.
Os temas sobre a mesa incluem pontos sobre dois níveis de autonomia regional e as futuras eleições em áreas controladas pelos rebeldes, disse Schaefer.
Novos combates nas últimas 24 horas entre as forças do governo e os rebeldes pró-russos deixaram ao menos 11 civis e 9 combatentes ucranianos mortos, segundo Kiev.
