Site holandês inova e atrai público jovem


Sobreviver na era digital é um dos maiores desafios para os tradicionais jornais e revistas de todo mundo. Mas um serviço holandês parece oferecer uma saída interessante para o problema. O site Blendle, inaugurado em abril desfe ano, reúne todos os jornais e revistas da Holanda em um só site.

Os usuarios que se cadastrarem recebem um crédito de 2,5 euros em que podem gastar em qualquer artigo de seu interesse. Ou seja, não é preciso assinar todo o conteúdo de uma revista ou jornal e não é preciso lembrar de diferentes senhas para diferentes sites noticiosos.

Os artigos presentes no site custam em torno de 10 a 80 centavos de euro e assim que o usuário clica no artigo, seu crédito é descontado automaticamente. Caso não goste do conteúdo, o valor é devolvido imediatamente. O sistema do site sempre pede para que os leitores justifiquem a razão pela qual oediram o reembolso.

Segundo o fundador do site, Alexander Klöpping, boa parte das pessoas devolve artigos que eles julgam ser muito pequenos pelo valor pago.

Assim que os créditos iniciais acabam, o leitor coloca mais crédito na sua conta e pode continuar a usar o serviço normalmente. O serviço já possui 100 mil assinantes, e 20% de todos os clientes passam a pagar por artigos depois que os créditos grátis terminam. Tendo em vista que a Holanda é um país de cerca de 16 milhões de pessoas, o número não é insignificante.

O interessante é que o Blendle também é uma espécie de rede social onde cada leitor compartilha o que está lendo com outros amigos e seguidores. Além disso, curadores especiais designados pelo Blendle, como políticos e jornalistas, também fazem sugestões de leitura. Tudo pode ser compartilhado pelo Facebook ou pelo Twitter.

Talvez o mais promissor para os descrentes do modelo de pagamento por conteúdo é que mais da metade dos usuários do Blendle tem menos de 40 anos, o que seus criadores garantem ser um bom indicativo de que os mais jovens pagam por um serviço bem pensado e que também quer dizer que os tradicionais modelos de assinatura não estão sendo danificados pelo novo sistema. Existe espaço para as duas coisas, um modelo tradicional de assinaturas e vendas em banca e outro que funciona como uma loja universal de conteúdo. É um futuro bem curioso.

*Reportagem publicada originalmente na edição 818 de CartaCapital, com o título cobrança por clique

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