Redução salarial, ambição e palavra: os bastidores do negócio por Barrios


Noite de terça-feira, véspera do dérbi conta o Corinthians, e Lucas Barrios é liberado para deixar a concentração do Palmeiras, não apenas para ficar fora do clássico, mas para dar sequência a sua carreira. Num intervalo de menos de 24 horas, o gringo rescindiu o contrato com o Verdão e entrou em acordo com o Grêmio, anunciado nesta quarta-feira por um ano. Tudo acontece na efemeridade de um dia. Mas a "extravagância" a que se permitiram os gremistas nasce bem antes, em um "namoro" desenrolado desde dezembro de 2016, que envolve redução salarial significativa e a fidelidade à palavra dada ainda no ano passado.

A tratativa surge a partir de um primeiro contato, lançado por Paulo Roberto "Coelhinho", ex-lateral campeão do Mundial com o Tricolor em 1983, hoje empresário, e de seu filho, Matheus. A resposta de Barrios foi um "sim" imediato, que logo foi repassado e avalizado pela diretoria do Grêmio. Aos 32 anos, o atacante argentino naturalizado paraguaio ainda tem a ambição de ser "protagonista" em solo brasileiro –  bem diferente do apresentado pelo Palmeiras – e viu com bons olhos a oportunidade de voltar a ser decisivo, agora pelo Tricolor.

Foi o ponto de partida de uma longa e complexa negociação até a rescisão contratual com o Verdão, firmada apenas nesta quarta-feira, sempre com o desejo do atleta como "norte". Até mesmo para abrir mão do R$ 1 milhão mensal que recebia, entre salário, luvas e transferência, do qual o clube paulista passa a se livrar.  Aliás, seus vencimentos eram bancados por Crefisa e Faculdade das Américas, patrocinadores que agora irão pagar os US$ 10 milhões pela compra de Miguel Borja.

No Grêmio, Barrios receberá um salário dentro dos "padrões" do clube, após abrir mão de 65% de seus vencimentos. O gringo deve receber em torno de R$ 350 mil mensais, além de luvas consideradas de "jogador de Gauchão" por um dirigente gremista. Tudo isso, num acordo costurado desde o primeiro contato, mas só publicizado após a rescisão. Na negociação, o Tricolor fica com 50% dos direitos federativos, e o atleta, com a outra metade. Os gremistas ainda têm a preferência para renovar o vínculo ao final do ano.

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