Turbulência crescente coloca em xeque capacidade do governo para tirar país da crise

Temer durante evento no Palácio do Planalto.  5/12/2016. REUTERS/Adriano Machado
(Reuters) - No último mês, o presidente Michel Temer viu cair um de seus principais ministros, manifestações ganharem vulto, a economia manter os sinais ruins e, agora, o presidente do Senado, Renan Calheiros, seu aliado, ser afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal, em um cenário que levanta dúvidas se o governo será capaz de fazer o que prometeu e tirar o país da crise econômica, política e agora, institucional.

No Palácio do Planalto, os sinais de alerta cresceram nas últimas semanas. As manifestações do último domingo foram maiores do que o esperado inicialmente, infladas pelas ações recentes do Congresso, especialmente a descaracterização do pacote anticorrupção.

O alívio veio do fato de o Congresso ter sido o centro das reclamações, mas assessores presidenciais avaliam que, se a economia não melhorar, a fúria da população pode rapidamente se voltar contra o governo. E os sinais nesse front também não são bons.

Assessores próximos do presidente admitem que os problemas se avolumam, mas minimizam a crise, por enquanto.

"O que os empresários querem são sinais de que as coisas estão sendo feitas. Eles não querem outro presidente, querem esse e que ele faça o que diz que vai fazer", disse à Reuters um assessor presidencial. "Eles sabem que a economia demora a reagir."

No entanto, a própria equipe econômica admite internamente que esperava resultados mais rápidos e uma reação já no primeiro semestre de 2017 --a expectativa agora é de alguma evolução apenas no segundo semestre.

As críticas de aliados, representadas por entrevistas com "sugestões" dadas pelo economista Armínio Fraga, ligado ao PSDB, levaram o presidente a dar sinais públicos de prestígio ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Entre eles, os elogios feitos na segunda-feira, durante a apresentação do projeto de reforma da Previdência, e a decisão de confirmar Dyogo Oliveira, interino desde junho, como ministro do Planejamento.



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