Museu concebido por aliado de Lula é alvo de operação da PF

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a operação Hefesta para desarticular esquema de desvio de recursos públicos federais do Ministério da Cultura para a construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador no município de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

A obra, concebida pelo prefeito Luiz Marinho (PT), um dos grandes aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começou em 2012 e estava prevista para durar nove meses, mas até hoje não foi concluída.

O museu recebeu repasses de R$ 11 milhões do Ministério da Cultura — num projeto de R$ 14 milhões. Marinho, que vistoriou recentemente as obras, lutava para concluir o projeto até o fim de seu mandato, em 1º de janeiro de 2017.



Segundo a assessoria de imprensa da PF, 60 policiais federais e 10 servidores da Controladoria Geral da União cumprem 32 mandados expedidos pela 3ª Vara Federal de São Bernardo do Campo, sendo oito mandados de prisão temporária, oito mandados de condução coercitiva e 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, São Bernardo do Campo, Barueri, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

O inquérito foi instaurado pela PF a partir de informações divulgadas pela imprensa em novembro de 2014, indicando atraso e possíveis fraudes na construção do museu, disse a PF.

Concebido como um marco da gestão de Luiz Marinho, o museu foi planejado para contar a história do trabalho e das greves do ABC paulista, que lançaram Lula na política.

A investigação da Polícia Federal aponta o desvio de recursos provenientes de projetos da Lei Rouanet e convênios do Ministério da Cultura com a prefeitura municipal. Há indícios de superfaturamento de projetos, subcontratação ilegal de empresas sem licitação e duplicidade de objetos nos projetos de captação.

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