Conquistas, extracampo e despedida: polêmico, VR3 revela erros e acertos
A felicidade da conquista, a indignação pela acusação, a frustração da eliminação, o medo do rebaixamento, a tristeza pela violência, o desapontamento com o erro. Não seria exagero dizer que, em dez meses de Vitória, o zagueiro Victor Ramos sentiu, pelo menos um pouco, todas essas sensações. Formado nas categorias de base do Leão, o defensor de 27 anos retornou em fevereiro para iniciar a sua terceira passagem pelo clube. Nesse período, dentro de campo, foi campeão Baiano, caiu com o time nas copas do Brasil e Sul-Americana e lutou contra o Z-4 no Brasileirão. Fora das quatro linhas, VR3 foi apresentado com festa, teve o nome envolvido em polêmica de escalação, foi agredido, suspenso e perdoado pela diretoria.
- Se foi assim ganhando o Campeonato Baiano, imagine se não tivesse ganho. Era uma pressão muito grande. Costumo sempre dizer ao pessoal mais próximo de mim que, nesse ano, envelheci uns dois anos. Foi um ano muito desgastante. Se não foi o principal, foi um dos anos mais desgastantes por essa situação que o Vitória se encontrou, de brigar lá embaixo - avalia Victor Ramos.
Em um ano de variadas emoções, Victor Ramos não foge ao rótulo de jogador polêmico, muito menos nega os erros cometidos extracampo. Ele assume que não deveria ter discutido com um torcedor em uma rede social, nem faltado a um treino sem comunicar ao clube. Contudo, o defensor também valoriza os acertos. Ao longo da temporada, avaliada por ele com positiva, VR3 disputou 38 jogos, todos como titular, e marcou dois gols. É o líder em desarmes do Vitória no Brasileirão, e o 38º na competição, com 55 roubadas de bola.
Muito mais que a fama de boêmio ou o sucesso com as mulheres, Victor Ramos também mostra um outro lado e, no corpo e nas palavras, faz questão de registrar o amor pela família e pela torcida do clube que o revelou. Entre as cerca de 20 tatuagens espalhadas, o defensor tem os nomes dos pais e da irmã gravados no braço, além do rosto da avó, Maria Elísia, registrado em um dos ombros, e de um Leão, na mão. Quanto às palavras, não se priva de dizer e repetir:
- A torcida do Vitória sempre vai morar no meu coração onde quer que eu esteja.
Suspenso pelo terceiro cartão amarelo da última partida do Vitória na temporada, contra o Palmeiras, Victor Ramos está se despedindo do clube. Emprestado pelo Monterrey, do México, até dezembro, ele ainda treina com os companheiros, mas não vai ficar para a próxima temporada.
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