Merkel teme que 'bots sociais' manipulem eleição alemã em 2017
(Reuters) - O maior adversário da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, na campanha eleitoral do ano que vem pode não ser um líder partidário rival, mas os chamados "bots sociais" – softwares programados para influenciar a opinião em redes sociais.
Em seu primeiro discurso ao Parlamento desde que anunciou, no domingo, sua intenção de se candidatar a um quarto mandato, Merkel pediu um debate sobre como notícias falsas, bots e trolls podem manipular a opinião pública.
"Para poder chegar às pessoas, inspirar as pessoas, precisamos lidar com este fenômeno e – quando necessário – regulamentá-lo", disse a chanceler aos parlamentares na quarta-feira.
O papel que o Facebook e o Twitter desempenham na disseminação de informações falsas e mal-intencionadas ganhou proeminência na pauta de Merkel depois da eleição chocante do candidato republicano Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
Os bots sociais imitam o comportamento humano em redes sociais, por exemplo publicando mensagens ou curtindo postagens. Eles podem ser usados para espalhar informações equivocadas e turvar o debate. Alguns críticos dizem que a proliferação de notícias forjadas ajudou a inclinar a votação norte-americana a favor de Trump.
Agora que o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) erodiu o apoio aos conservadores de Merkel atacando sua política de portas abertas aos refugiados, cresce o alarme a respeito da influência dos bots e das notícias falsas sobre eleitores em potencial.
Como sinal do quão seriamente a líder alemã está encarando o assunto, ela convidou Simon Hegelich, professor de ciência de dados políticos da Universidade Técnica de Munique, a inteirar o comitê executivo de sua União Democrata-Cristã (CDU) na segunda-feira.
"Merkel está realmente interessada no tópico dos bots, das notícias falsas e do discurso de ódio na internet, e está muito bem informada", disse Hegelich.
