Santa Teresa promove nova edição do projeto Arte de Portas Abertas
Agência Brasil
Cinquenta e oito artistas, 31 ateliês e 13 espaços culturais de Santa Teresa, tradicional bairro do centro do Rio de Janeiro, participaram neste fim de semana da 26ª edição do projeto Arte de Portas Abertas, organizado pela Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa (Chave Mestra). A ideia, segundo Dony Gonçalves, um dos organizadores do evento, é “abrir os ateliês, as galerias e espaços culturais para mostrar a produção múltipla, em vários suportes, dos artistas de Santa Teresa ligados à associação”.
Segundo Gonçalves, o projeto reúne a cada edição um público superior a 20 mil pessoas. Para ele, esse é um sinal de que a cultura está em alta na cidade. “É um evento que acontece desde os anos de 1990 e, a partir de 2003, com apoio da Associação dos Artistas Visuais, que fundaram a entidade para estruturar melhor esse evento, está entre os 100 melhores [eventos] do calendário do Rio de Janeiro. É um evento que já deu certo”, destacou.
Este ano, o projeto está sendo revitalizado a partir dos conceitos do associativismo e coletivismo. Nesta edição, o projeto fez parcerias com a rede de gastronomia do bairro, no circuito Arte sobre a Mesa. Os visitantes puderam apreciar ainda, dentro da programação, palestras e visitas guiadas aos museus Chácara do Céu e Casa de Benjamin Constant.
O projeto Arte de Portas Abertas reúne pintura, desenho, gravura, fotografia, cerâmica, escultura, objetos e algumas instalações. As obras expostas têm preços que variam de R$ 40 até R$ 3 mil.
Receptividade
A artista visual Miriam Miranda expõe seus trabalhos durante o evento desde 2009. Para ela, o projeto é uma janela para sua arte. “A gente tem contato com as pessoas. É o público. Não é o curador, o comprador específico, mas o público de modo geral, que dá um retorno para a gente. Na minha concepção de arte, só concluímos o nosso trabalho quando o espectador observa o trabalho e dá um retorno. Aí, conseguimos perceber se o objetivo está sendo alcançando. Quando o público percebe, coisas novas acontecem, outras ideias e leituras aparecem. Essa receptividade é fantástica. O Arte de Portas Abertas permite isso.”
Cenógrafa, Miriam Miranda desenvolve sua arte por meio de pintura e objetos com tecidos.
O artista Piá faz intervenções com grafite em muros da cidade. Este ano, a convite do Arte de Portas Abertas, ele voltou a Santa Teresa, onde morou alguns anos. “Eu continuo enxergando Santa Teresa como morador”. Sobre o projeto, foi categórico: “O que for bom para o bairro é bom para a gente”.
Com apoio da Casa dos Empreendedores Urbanos (CEU), os visitantes podem conhecer também um pouco da cultura indígena brasileira na Casa Ashaninka, povo que habita o Rio Amônia, no Acre. O Projeto Ashaninka tem o intuito de fortalecer e capacitar os índios dessa etnia, ensinando como tirar proveito financeiro da floresta sem desmatar. Na Casa Ashaninka, o público tem oportunidade de conhecer produtos confeccionados pelos indígenas e, inclusive, experimentar suas pinturas.
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