Ex-ministro Antonio Palocci é preso em nova fase da Lava Jato
(Reuters) - O ex-ministro Antonio Palocci foi preso nesta segunda-feira pela Polícia Federal em nova fase da operação da Lava Jato, que investiga suspeita de relação criminosa do petista com o grupo Odebrecht em negociações envolvendo a Petrobras, o BNDES e o Congresso Nacional.
Palocci foi ministro da Fazenda do governo Lula e ministro-chefe da Casa Civil do governo Dilma, tendo deixado ambos os cargos em meio a acusações de irregularidades. O nome dele já havia sido incluído pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em uma lista de políticos enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de inclusão em inquérito da Lava Jato.
O ex-ministro foi preso em São Paulo nesta manhã como parte dos três mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça no âmbito da 35ª fase da Lava Jato, intitulada Omertà, segundo a PF, em referência à origem do codinome que a construtora usava para fazer referência a Palocci, "italiano".
Além do ex-ministro, também foram presos Branislav Kontic, que foi assessor do Palocci na Casa Civil, e Juscelino Dourado, chefe de gabinete dele na Fazenda.
O trio "atuou em favor dos interesses do Grupo Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal", de acordo com os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta visando propiciar vantagens econômicas à Odebrecht em diversas áreas de contratação com o poder público, tendo sido ele próprio e membros de seu grupo político beneficiados com valores ilícitos.
"Nesta fase da operação Lava Jato são investigados indícios de uma relação criminosa entre um ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda com o comando da principal empreiteira do país. O investigado principal atuou diretamente como intermediário do grupo político do qual faz parte perante o Grupo Odebrecht", disse a PF em comunicado, sem citar Palocci nominalmente.