Rainha de bateria do RS trabalhou para tesoureiro do PT, diz advogado

Os desdobramentos da 31ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira (5) pela Polícia Federal, deixaram a rainha da bateria da escola de samba Estado Maior da Restinga Viviane Rodrigues da Silva "angustiada", segundo disse ao G1 o advogado da carnavalesca, Leandro Pereira. Ele afirma que os R$ 61,7 mil enviados a ela por um dos operadores do esquema investigado são referentes à remuneração pelo trabalho na campanha eleitoral da candidatura do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira para deputado federal em 2010.

"Ela está surpresa e espantada", disse Pereira, que lamenta a divulgação do nome da carnavalesca em meio às notícias da Lava Jato. "É uma exposição negativa de uma pessoa que tem uma vida extremamente correta. Ela está arrasada, coitada. Disse que nunca fez nada de errado na vida", acrescenta.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o dinheiro que originou o pagamento a Viviane – e outros mais R$ 40 mil encaminhados à Estado Maior da Restinga – são parte do total de R$ 1 milhão recebido pelo ex-vereador Alexandre Romano, do interior de São Paulo, suspeito de ser operador de um esquema de pagamento de propina para um consórcio de empreiteiras obter um contrato com a Petrobras. No despacho do juiz Sergio Moro, consta que o dinheiro foi encaminhado à carnavalesca em 18 parcelas mensais, quase todas no valor de R$ 3,5 mil. Em delação premiada, Romano disse que fazia os pagamentos a pedido de Ferreira.

"No período de 2010, ela fazia campanha do então candidato a deputado Paulo Ferreira, e foi assim que eles se conheceram. Ele a remunerava, como remunerava outras pessoas. Por isso os pagamentos eram todos no mesmo valor, exceto em um mês que foi R$ 4,2 mil, como um salário", explica o advogado de Viviane.

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