Senado aprova abertura de processo de impeachment e Dilma é afastada por até 180 dias

Presidente afastada Dilma Rousseff durante evento em Brasília.  10/05/2016        REUTERS/Ueslei Marcelino
(Reuters) - O Senado aprovou nesta quinta-feira a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que será agora afastada da Presidência da República por até 180 dias, com uma margem de votos que seria suficiente para retirá-la do cargo em definitivo e encerrar o período de mais de 13 anos do PT no comando do país.

Os senadores deram aval para o andamento do processo por 55 votos a favor e 22 contra, em uma sessão que virou a madrugada e teve cerca de 21 horas de duração. Com o afastamento de Dilma, o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, assume interinamente a Presidência.

Dilma é acusada de crime de responsabilidade por atrasos de repasses do Tesouro ao Banco do Brasil por conta do Plano Safra, as chamadas pedaladas fiscais, e pela edição de decretos com créditos suplementares sem autorização do Congresso.

Para a defesa, as pedaladas não constituíram operação de crédito junto a instituições financeiras públicas, o que é vedado pela lei, e os decretos serviram apenas para remanejar recursos, sem implicar em alterações nos gastos totais.

O número de votos favoráveis à abertura do processo de impeachment evidencia as dificuldades que a presidente Dilma terá pela frente para evitar a sua condenação. No julgamento final pelo Senado, são necessários dois terços dos senadores, ou 54 votos, para que ela seja impedida definitivamente de concluir seu mandato.

A abertura do processo de impeachment foi aprovada em uma sessão marcada muito mais por críticas à condução do governo pela presidente do que pelas poucas defesas dos senadores governistas.

"A continuidade do governo Dilma, do meu ponto de vista, seria uma tragédia maior. Eu duvido que alguém neste plenário ache que nós chegaríamos a 2018, sem que a situação se deteriorasse de maneira insuportável", afirmou em seu discurso o senador José Serra (PSDB-SP), cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores no governo Temer.

A sessão iniciada pouco depois das 9h da quarta-feira já entrava nas primeiras horas da noite quando alguns senadores tentaram persuadir o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a evitar que os debates se arrastassem pela madrugada.



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