Falta de Ibope é o maior risco para Lava Jato
Muito se especula sobre o futuro da Lava Jato no caso de haver o impeachment. Como são dezenas de políticos sob investigação no STF, se raciocina que uma saída de Dilma aliviaria a barra para muitos deles, aninhados não apenas no PT, mas PP, PMDB, entre outros. Acredito nisso, mas não por conta de teorias conspiratórias.
Ao longo de dois anos da Operação iniciada em Curitiba ficou claro que, na verdade, os ocupantes de cargos públicos tem muita pouca interferência no desenrolar do trabalho da PF e procuradores. Menos ainda nas decisões de Moro, que, até aqui, é a figura que galvaniza o público. Para desinflar a Lava Jato, porém, talvez não sejam necessárias cavernosas transações – pode-se secar uma cachoeira desviando-se o leito do rio ribanceira acima. Mas como?
A Lava Jato depende da opinião pública. Do seu interesse e audiência (e do estímulo a ela via redes de TV e jornais). Isso já foi deixado claro diversas vezes pelos investigadores e pelo juiz Moro. Algo assim: a pressão da opinião pública impede que os interesses “corruptos” se articulem para frear as investigações.
Sem Dilma e o PT no governo, em caso de impeachment, será natural que o interesse do público pelas investigações decaia. Em parte porque a meta-mãe foi atingida. O nervo da discórdia, retirado. Quem vai querer saber o que disse algum delator sobre algum político pouco conhecido ou mesmo conhecido, mas não do PT, esse partido-símbolo de tanta coisa, em um processo de primeira instância ou mesmo no STF ainda em andamento ? Como jornalista já vi muitos casos grandiosos de corrupção aparecerem e desaparecerem, fora aqueles que nunca vieram a público por falta de interesse. Sim, os holofotes se apagam ou sequer aparecem.
Em caso de impeachment, e logrando-se um acordão geral que consiga juntar os cacos de um governo de transição, amparado em um programa de reformas “corajosas” de mercado, a Lava Jato poderá a voltar a ser o que é: uma Operação como outras que a PF fez e fará, com o diferencial de ter ao seu lado procuradores bem preparados, um juiz determinado a punir e, mais recentemente, o próprio STF. Frases, citações, vazamentos, que hoje causam furor – e que são muitas vezes apenas especulações – poderão no futuro, neste novo quadro recomposto, virar pé de página nos jornais ou citações relâmpagos nas TVs. Para quem acompanha a novela da Lava Jato, este enredo não é improvável.
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