Após 15 anos, "coach" Cássio lembra pênalti espírita: "Foi uma loucura"

"Murilooo! Mas a bola volta, entrou, e é gol! Gol do Flamengo, impressionante!". Essas foram as palavras escolhidas pelo narrador Luís Roberto para descrever um dos pênaltis mais inusitados da história rubro-negra, batido por Cássio. Reinaldo abriu o placar com belo gol de falta no tempo normal da final da Taça Guanabara de 2001, e Marco Brito empatou para o Fluminense. Era aniversário de Zico, que completava 48 anos, e a cobrança derradeira, a do título, fora executada por Beto. Mas quem se lembra disso? Naquele 3 de março, o Rio de Janeiro e o Brasil enfrentavam apagões, o que provocou até racionamento de luz, mas existia um iluminado naquele Fla-Flu que foi um "ai, Jesus": Cássio. O lateral-esquerdo, à época aos 21 anos, na quarta penalidade dos flamenguistas, chutou no meio do gol. O tricolor Murilo espalmou, e a bola, chorada, entrou no fundo da rede.

Quinze anos depois, falando da cidade de Adelaide, na Austrália, onde é o "coach" da "Academia de Futebol by Cassio" (escolinha de futebol voltada para crianças), o ex-jogador de 36 anos lembra do pênalti com muito carinho, gargalhadas e alegria.

 - Cara, na verdade, aquele gol ninguém esperava. Eu não esperava, ninguém esperava, foi uma coisa de Deus. Só que depois foi a maior brincadeira no vestiário. Os jogadores me sacaneando, o próprio Zagallo mesmo (risos). Foi muito bom, um feeling muito legal que eu tive. Foi uma loucura. Todo mundo brincou: "Que gol é esse?". Foi muito legal. Era pra ser ali.

A zoação não se restringiu à sorte de Cássio. O próprio tirou onda com os primos, que, segundo o ex-lateral, se viram numa sinuca de bico ao terem de optar ou pelo ente querido ou pelo Tricolor do coração deles.

- Engraçado é que a maioria dos meus primos é tricolor, e eles não sabiam o que fazer na hora. Estavam no jogo, me contaram depois como foi com a gente fazendo churrasco. Falaram que não acreditavam, queriam que eu fizesse gol, mas que o Fluminense ganhasse. Foi o maior desespero da vida deles (risos). Mas no final acho que torceram por mim. Eles contando você chora de rir - diverte-se Cássio, que, dias após a conquista, foi à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Freguesia, em Jacarepaguá, agradecer pelo lance tão diferente.

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