Jovem da Síria supera guerra civil e resgata paixão por futebol no Brasil
Jovens se reúnem em um dia qualquer para jogar videogame. Cena comum em praticamente todos os cantos do mundo, do Brasil ao Japão, mas aconteceu na Síria manchada pelo início de uma guerra civil que dura até hoje. O lugar errado, na hora errada, o que por pouco não transforma um encontro divertido em imensa tragédia. Um míssil atinge um conglomerado de prédios, destrói as construções e deixa feridos e rastros. Mas, por milagre, não explode.
Amer F. Salha é um dos sobreviventes. Ao lado de um grupo de amigos, o rapaz de 16 anos sai com pequenos ferimentos e marcas até hoje mostradas como cicatrizes de vitória. Os olhos deste garoto sírio viram muito mais do que a idade sugere. Viram a destruição de sua cidade-natal, o desabamento do prédio em que vivia, companheiros serem vítimas e a situação financeira da família ruir. Por sorte, o campo de visão hoje é bem melhor.
Ele deixou a guerra civil para trás e, ao lado dos pais e da irmã mais nova, embarcou para o Brasil, onde vive – legalmente – em Campinas, interior de São Paulo. Cursa o colegial em uma escola particular, ajuda a mãe em um trabalho caseiro e refaz a vida pouco a pouco. De antigo, só a paixão pela bola. Ele treina há dois meses com o time sub-17 do Guarani, clube que lhe abriu as portas para treinar e, por meio do esporte, sonhar.