Para Wagner, decisão do STF sobre impeachment dá mais tranquilidade ao governo
(Reuters) - O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta terça-feira que o governo começará uma nova fase em 2016 definindo quatro prioridades, entre elas a reforma da Previdência, agora com mais liberdade para agir e mais tranquilidade para o país e para os agentes econômicos depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rito do impeachment.
O ministro disse, em conversa com jornalistas, que no próximo dia 28 Dilma vai reunir a equipe econômica para “afinar o discurso” e definir a estratégia do governo para o próximo ano.
"Em janeiro a presidente deve definir três ou quatro eixos, um deles a Previdência, para apresentar para o Congresso”, explicou o ministro.
“Na cronologia que a presidente quer fazer e estamos trabalhando muito internamente, temos três ou quatro cenários de objetivos a atingir e regras de transição. Vamos trabalhar com essas hipóteses, convocar as bancadas e começar a discutir”, disse.
Os temas que o governo pretende levar ao debate do Congresso são, além da reforma da Previdência, a desburocratização das relações de trabalho, financiamento a longo prazo e a simplificação das regras tributárias, incluindo as reformas do PIS e da Confins e a unificação das alíquotas do ICMS.
“A virada no Supremo é quase um renascimento do governo Dilma. Sai de um governo perseguido para um governo que ganha liberdade para atuar”, afirmou Wagner.
“A decisão do STF, querendo ou não, recolocou uma pauta negativa em uma outra cronologia e dá mais tranquilidade não só ao governo, mas até aos agentes econômicos. Porque, se economia é previsibilidade e confiança, é claro que tendo sobre o país uma nuvem cinzenta, uma dúvida se o presidente vai ficar ou vai sair, é um fato altamente desagregador. Como um agente econômico estrangeiro vai investir não sabe se quem está no comando do governo vai se manter? É um elemento altamente danoso.”
Na semana passada, o STF decidiu, em resposta a uma ação do PCdoB, o rito do processo de impeachment no Congresso, dando ganho na sua maioria, à tese do governo. Definiu que não há possibilidade de candidaturas avulsas na formação da comissão especial que analisará o processo, que o voto deve ser aberto e que o Senado precisa confirmar a decisão da Câmara de abrir ou não o processo. Nos três casos, as decisões tornam mais difícil a aprovação da abertura do processo.
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