Brasil, Dinamarca, adoção e handebol: a história de Tom Camargo Andjkar
Dona Adozina Camargo trabalhava como doméstica na casa de um médico brasileiro, no Rio de Janeiro. Mãe de cinco filhos, ficou grávida novamente. Foi quando o patrão teve uma conversa com ela. Disse que um casal de médicos dinamarqueses voltaria para o seu país em breve e estava interessado em adotar uma criança brasileira. Sem condições de manter a família e preocupada com o futuro do sexto filho, Adozina aceitou a adoção. Em março de 1970 nascia Tom. Seis meses depois, ele rumava para a fria Kolding sem saber o que o destino já havia traçado para sua vida, sem imaginar que aos 45 anos teria enfim a chance de torcer pela seleção do seu país através do Mundial e sem supor que sua filha, Anna, de 11 anos, craque de handebol e pretendida por todos os clubes da cidade, já escolheu a seleção brasileira para o futuro.
- Na Dinamarca, handebol é muito grande, e aqui em Kolding, maior ainda. Temos vários amigos que são grandes jogadores de handebol. E agora o Brasil está aqui. Quando vi o chaveamento e que o Brasil estaria aqui, comprei os ingressos na hora, vamos em todos os jogos. E pude perceber que para os meus filhos foi muito importante. Principalmente para o meu filho, que já disse que quer ir viver lá no Brasil. Nossas meninas são as melhores, agressivas, fortes, mas jogam um handebol lindo. Elas têm sangue de vencedoras, e me sinto orgulhoso de ter a oportunidade de torcer por um time do meus país na minha casa. Com certeza é o destino. Em todo o mundo, em toda a Dinamarca, vão jogar logo na minha cidade? Espero que elas saibam que não estão sozinhas - diz Tom, todo orgulhoso ao lado dos filhos.