Novo governo argentino buscará novas parcerias comerciais, diz especialista


Agência Brasil
macri eleito presidente da Argentina
Eleito em segundo turno, Mauricio Macri tomará posse no dia 10 de dezembro        Agência Télam
As eleições presidenciais argentinas, vencidas em segundo turno pelo empresário Mauricio Macri, do Proposta Republicana (PRO), podem resultar em mudanças que vão além das fronteiras daquele país, influenciando as relações com diversos outros países e com outros mercados além do Mercosul.

Prevista para o dia 10 de dezembro, a posse de Macri representa o fim de 12 anos de governos kirchner-peronistas – termo que, segundo o professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Matias Franchini, não tem significado ideológico muito claro.
“Não há uma ideologia específica para os peronistas. Eles são bastante camaleônicos. Uma hora são de esquerda, como têm sido desde 2003; outra hora são de direita, como foram nos anos 90. Trata-se de um partido cuja ideologia é buscar sempre o poder. Historicamente, os peronistas interpretam o sentimento da sociedade e se adaptam ao estado de espírito da sociedade naquele momento. Só daqui a dois anos, com o início das eleições legislativas, poderemos ter uma ideia sobre qual será a definição da nova tendência dos peronistas”, disse o professor à Agência Brasil. Franchini é argentino e vive há cerca de sete anos no Brasil.
Segundo Franchini, o novo governo terá como ponto de partida um país bastante isolado comercialmente e com discurso político próximo dos adotados por Venezuela, Rússia e Irã. Trata-se de algo complexo para um governo de centro-direita como o que será implantado por Macri, afirmou o professor. “Ele terá o desafio de modificar a tendência de centro-esquerda que se observava na política argentina, para tentar sair do isolacionismo comercial adotado nos últimos anos”, disse Franchini, referindo-se à retração comercial de seu país com os Estados Unidos e a Europa.

“Em seguida, a Argentina provavelmente buscará se afastar do chamado eixo bolivariano, em especial da Venezuela, que, com a Rússia e o Irã, constitui os principais eixos do discurso político adotado pelo governo Kirchner". Macri já havia criticado, reiteradas vezes, a Venezuela pelo desrespeito aos direitos humanos e pelas violações à Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em diversos momentos. ele pediu a saída da Venezuela do Mercosul.

Na opinião do professor da UnB, a mudança na presidência argentina pode diminuir a relevância do Mercosul para aquele país, o que provavelmente favorecerá um processo de revisão do bloco. “Mas os vínculos permanecerão”, disse Franchini. Ele acrescentou que isso poderá colocar a Argentina “em posição de confronto político” com o Brasil, país com o qual as relações já vinham sendo bastante complexas. “Há muito conflito comercial apesar de os discursos serem sempre no sentido de alimentar a narrativa do Mercosul. Essa relação tem passado por crises, mas o vínculo é ainda muito forte e deverá ser mantido, já que a força econômica entre as empresas dos dois países independem de interesses políticos imediatos”, explicou o professor argentino.

“Imagino que, a partir do próximo governo, essas questões sejam conversadas de forma mais aberta e transparente. Ao mesmo tempo, a Argentina buscará novas parcerias comerciais. Isso, claro, poderá colocar o Mercosul em risco, mas não acredito que vá ser abandonado. Vejo, no máximo, a possibilidade de um abandono parcial, em especial da tarifa externa comum”, afirmou. Entre os mercados que provavelmente interessarão ao novo governo argentino, Franchini destacou o pretendido pelo recém-criado Acordo de Parceria Transpacífico. “Também é provável a busca por acordos com Estados Unidos, Chile e México, além de alguns países asiáticos, como Japão e Vietnã.”






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