Mesmo sem grandes avanços, governo vê melhora na relação com base no Congresso

(Reuters) - Apesar de não ter obtido grandes avanços no Congresso, o Palácio do Planalto considerou esta semana mais positiva na relação com a base, após finalmente conseguir encerrar a votação da DRU em comissão da Câmara e evitar uma possível derrota na votação de projeto que regulariza bens no exterior, adiada para a próxima semana.

Apesar de a semana no Congresso não poder ser considerada um sucesso, depois de mais de três meses de paralisia, e com a oposição abusando das manobras regimentais para impedir votações, o governo conseguiu finalmente aprovar admissibilidade da proposta que prorroga a Desvinculação de Receitas da União na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, com um amplo placar favorável: 44 votos a favor e seis contrários.

“Nós adotamos aquela estratégia: o governo vota e a oposição fala”, disse o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), ao comentar a análise da DRU na CCJ após duas sessões seguidas de obstrução da oposição.

A prorrogação do mecanismo é essencial para o governo por permitir que remaneje livremente parte do que arrecada, justamente em um momento que tenta reequilibrar suas contas. Da mesma forma, o governo considera prioritária a aprovação de projeto que regulariza ativos não declarados no exterior, mediante pagamento de multa e impostos, o que pode incrementar as receitas do governo federal.

A proposta estava na pauta de votações da Câmara na quarta-feira, mas foi adiada para a próxima semana, a pedido de governistas, na intenção de amadurecer a discussão e evitar uma derrota.

O Planalto não considerou o adiamento como um revés, já que sua base conseguiu barrar requerimento da oposição para retirar o tema da pauta, pouco antes de firmar acordo para encerrar a discussão e retomar a votação na próxima semana.

A presidente Dilma Rousseff começou a semana cobrando sua equipe, durante a reunião da coordenação política, por mais resultados no Congresso. Preocupada, declarou que era preciso avançar nas propostas que estavam paradas para mostrar ao mercado que o governo ainda tem capacidade de mobilizar sua base para aprovar medidas importantes.

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