'Iam cortar minha cabeça', diz homem resgatado das mãos de milícia no Rio
O vigilante resgatado na quarta-feira (21) pouco antes de ser executado por milicianos na Favela do Aço, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, disse em entrevista ao Jornal Nacional que tinha ido à comunidade em busca de emprego, mas acabou capturado pelos criminosos. Apontado como informante da polícia, foi cruelmente agredido e ameaçado.
“Perguntaram se eu era mandado de quem. Eu falei que ninguém. Entrei automaticamente no carro, baixei a minha cabeça. Me levaram até determinado local, me amarraram e foram cruéis, muito violentos de falarem que iam cortar minha cabeça, que iam me picotar, várias coisas, coisas ruim mesmo. Acharam que eu era informante da polícia ou do tráfico. Eu ali só pedia a Deus. Falaram 'não estou nem aí para seus filhos'. Eles são muito cruéis, não têm dó, não têm pena, nem coração”, contou o homem, que tem 38 anos, está desempregado e é pai de três filhos.
O homem, que esteve na delegacia para ajudar nas investigações, contou que não mora na favela e que foi abordado por criminosos por ser um estranho no local. Ele ficou 2h30 em poder dos milicianos e disse que temeu ser morto.