MPF denuncia Dirceu e aponta R$60 milhões de corrupção na 17ª fase da Lava Jato
(Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta sexta-feira o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque, além de outras 14 pessoas, na 17ª fase da Lava Jato na qual, segundo os procuradores, a corrupção na estatal somou 60 milhões de reais.
Segundo o MPF, Dirceu, ministro durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi denunciado pelos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
"Aqui não julgamos José Dirceu, nós não julgamos pessoas ou vidas, mas sim fatos e atos concretos. Não está em questão José Dirceu ao longo da história, não está em questão o que ele fez pela consolidação da democracia em nosso país", disse o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol.
"Ele praticou crimes graves e ele deve ser responsabilizado como qualquer pessoa, porque nós vivemos em uma República, em que todos devem ser iguais perante a lei", acrescentou Dallagnol, que é procurador da República.
De acordo com o MPF, Dirceu recebeu propina do esquema de corrupção na estatal inclusive quando estava preso em Brasília por causa de sua condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo envolvimento no mensalão, esquema de compra de apoio político no primeiro mandato de Lula.
Segundo os procuradores, por ter cometido crimes enquanto cumpria pena no mensalão, Dirceu pode ver revogado o benefício da prisão domiciliar que havia conseguido.
O ex-ministro recebeu 11,8 milhões de reais em propina, de acordo com os promotores que compõem as investigações da Lava Jato. Eles afirmaram ainda que a JD Assessoria, empresa de consultoria montada por Dirceu, recebeu recursos de outras empresas investigadas pela Lava Jato e que esses repasses serão alvo de investigação.
Procurado, o advogado do ex-ministro não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.
Segundo os procuradores, metade da propina paga pelos contratos na diretoria de Serviços da Petrobras, então comandada por Duque, era destinada a funcionários da estatal que participavam do esquema --entre eles o próprio Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco-- e a outra metade para o PT, via Vaccari.
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