Agência de risco Moody's rebaixa nota de crédito do Brasil
A agência de classificação de risco Moody's cortou a nota de crédito do país nesta terça-feira (11), deixando-o a apenas um nível de perder o grau de investimento –selo de "bom pagador".
A nota do Brasil passou de Baa2 para Baa3. A agência alterou ainda a perspectiva da nota de negativa para estável.
A Moody's atribuiu a decisão ao desempenho econômico mais fraco que o esperado, à situação fiscal do país e à falta de consenso político para aprovar as reformas fiscais.
As divergências, afirmou a agência, vão impedir as autoridades de alcançar um superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) que seja suficiente para conter e reverter o endividamento crescente do país neste ano e no próximo.
Apesar do corte, o mercado reagiu bem à notícia. Havia o temor de que a Moody's fizesse uma mudança drástica em sua avaliação, rebaixando já agora o país para o chamado "grau especulativo".
Para a Moody's, o país precisa crescer 2% e economizar, na forma de superavit primário, pelo menos 2% do PIB para estabilizar sua dívida. Na avaliação da agência, contudo, o Brasil não deve cumprir estas condições em 2015 e 2016.
Para a Moody's, o endividamento do governo só se "estabilizará" no fim do segundo mando de Dilma Rousseff.
Nos cálculos da agência, a dívida subirá para 67% do PIB em 2016 e continuará a aumentar lentamente, aproximando-se de 70% do PIB em 2018 e permanecendo depois "em torno desse nível elevado".
A estimativa da Moody's difere, portanto, da anunciada pelo governo. A equipe econômica estima que o endividamento do país deve começar a cair em 2017.
Para o governo, dívida pública bruta alcançará 66,4% do PIB [Produto Interno Bruto] em 2016, baixando para 66,3% em 2017.
Fonte: Folha de São Paulo
