Previsão de queda no preço dos imóveis por evasão da poupança
De acordo com a Fitch Ratings, agência de classificação de risco, devido à menor disponibilidade de recursos para o financiamento de imóveis, os preços deverão cair cada vez mais rápido nos principais cidades brasileiras. A evasão líquida de recursos de poupança vem desgastando a fonte mais barata do país em termos de financiamentos imobiliários.
Vale ressaltar que a evasão líquida de depósitos de poupança bateu recorde desde o começo do ano passado. Visto que as instituições financeiras estão restringindo a concessão de crédito imobiliário e aumentando as taxas, o financiamento de imóveis está cada vez mais difícil.
Segundo a agência, as medidas tomada pelo Banco Central para diminuir as exigências de reservas em depósitos de poupança pode trazer um temporário alívio para o mercado. O aumento da disponibilidade dos depósitos para financiamento imobiliário também é uma das medidas adotada pelo BC.
O crescimento negativo, aumento dos níveis de dívida, crescente desemprego, inflação em alta e déficits públicos elevados são um dos principais motivos que tem prejudicado consideravelmente o mercado imobiliário no Brasil. A Fitch acredita que estes fatores contribuíram para a queda dos preços a partir de agosto do ano passado para unidades residenciais nas grandes cidades brasileiras.
Segundo informações do FIPE-ZAP, os preços sofreram uma queda de 4% em termos reais. Já para a Fitch, os valores dos imóveis podem ter caído ainda mais. No ano passado, os novos créditos imobiliários que foram financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) aumentou apenas 3,4%, o índice mais baixo desde 2003, e sofreram uma queda de 4,6% nos primeiros três meses deste ano.
A instituição responsável por cerca de 60% dos créditos imobiliários que não são subsidiados no Brasil, a Caixa Econômica Federal, diminuiu drasticamente seus limites de loan to value (LTV) de abril para imóveis usados. Antes este índice era de 80%, sendo que neste ano foi alterado para 50%, dentro do limite do SFH. Assim, o banco está focando na aquisição de imóveis novos. Especialmente para imóveis mais caros, a instituição financeira aumentou por duas vezes as taxas de financiamento imobiliário desde janeiro.
Embora tenham mantido limites em torno de 80%, os demais grandes bancos que atuam no Brasil estão enfrentando a disponibilidade reduzida de depósitos de poupança, embora tenham mantido limites em torno de 80%.
Caso os outros credores reduzirem os limites de LTV para 50% para imóveis usados, assim como a Caixa, o menor disponibilidade de financiamentos causaria redução de preços em torno de 40% para imóveis usados. Se isso não ocorrer, a queda nos preços deve girar em torno de 14%. De acordo com a Fitch, os imóveis no Rio de Janeiro sofrerão uma queda real entre 20% a 55%.
