PIB cai 0,6% no segundo trimestre e Brasil entra em recessão técnica
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não são nada animadores para a economia do Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma variação negativa de 0,6% no segundo trimestre de 2014 comparado ao resultado dos três meses anteriores.
Nesta divulgação das Contas Nacionais, também foram revisados os dados do primeiro trimestre deste ano. A alta anunciada em maio de 0,2%, foi corrigida para um recuo de 0,2% ante o último trimestre de 2013. Também foi revisado o terceiro trimestre de 2013, onde a queda passou de 0,3% para 0,6%. esse resultado e o do último trimestre só não foram piores ao do primeiro trimestre de 2009, quando o PIB regrediu 1,7%.
Indústria, segmento de serviços e agropecuária são as três atividades componentes do PIB. Dos três, a indústria teve o pior desempenho com queda de 1,5%. Esta é a quarta queda consecutiva do setor. Já o segmento de serviços recuou 0,5%. O único componente que apresentou crescimento foi a agropecuária, com 0,2%.
O consumo das famílias brasileiras sofreu um leve aumento de 0,3%, e a ótica de consumo do governo caiu 0,7%.
O Brasil chegou a metade do ano com uma taxa de poupança de 14,1%. Um índice similar a este foi apresentado pelo país no segundo trimestre de 2001, quando a taxa ficou em 14% do PIB. Este número está diretamente ligado à capacidade de investimento de um país, por representar o que sobra de dinheiro para a economia, quando excluídos o consumo das famílias e os gastos do governo. A taxa de investimento até junho foi de 16,5%
Outro número preocupante é o investimento em infraestrutura. No segundo trimestre do ano, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo caiu 5,3%, em relação aos três primeiros meses do ano. Comparado ao mesmo período do ano passado, a queda é de 11,2%.
Diante desses números, fica constatada a recessão técnica da economia brasileira. Ela ocorre quando, por duas vezes seguidas, a soma do trimestre da produção de riquezas de um país é menor que a obtida anteriormente. A última vez que isso aconteceu foi no auge da crise financeira mundial, entre outubro de 2008 e fevereiro de 2009. As turbulências apresentadas neste período eram incomparavelmente mais severas que as atuais, mesmo que até hoje a economia mundial não tenha se recuperado por completo a prosperidade apresentada antes da crise.

