Ucrânia pede ajuda internacional para combater tropas russas



Publico - O poder militar renovado dos separatistas pró-russos, que lhes permitiu lançar uma ofensiva em direcção à importante cidade portuária de Mariupol, levou as autoridades ucranianas a pedir ajuda à União Europeia e aos Estados Unidos. Entre apelos ao congelamento de todos os bens russos e a uma ajuda militar urgente, Kiev tenta forçar os países ocidentais a assumirem uma posição mais dura contra aquilo que descrevem como uma invasão do seu território pela Rússia.

As acusações dos principais líderes ucranianos surgiram depois de uma entrevista do novo primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Aleksander Zakharchenko – um ucraniano que há três semanas substituiu nesse cargo o russo Aleksander Borodai.

Em declarações ao canal público russo Rossiya 24, Zakharchenko revelou que entre 3000 e 4000 soldados russos combateram ao lado dos separatistas desde o início da guerra no Leste da Ucrânia, em inícios de Abril, mas voltou a usar uma linguagem cuidadosa para não implicar no conflito o Presidente Vladimir Putin.

"Há soldados [russos] no activo que preferiram passar as suas férias a combater entre nós, entre os seus irmãos, do que na praia", disse o líder separatista – há uma diferença entre dizer que há soldados russos a combater de forma voluntária e soldados russos a combater por ordem directa do Presidente russo, o que permite a perpetuação da discussão sobre o que pode ser considerado uma interferência directa da Rússia.




Para além da guerra no terreno, há também uma guerra de informação e desinformação que torna difícil saber por onde anda a verdade, enquanto morrem centenas de civis e centenas de milhares são obrigados a procurar refúgio ou na Rússia ou em regiões ucranianas longe de Donetsk e Lugansk, até agora palcos dos combates mais sangrentos – ainda nesta quinta-feira, pelo menos 15 civis foram mortos em bombardeamentos em Donetsk.

Já em finais de Maio, durante uma batalha pelo controlo do aeroporto de Donetsk, pelo menos três dezenas de cidadãos russos foram mortos quando lutavam contra o Exército ucraniano, mas a versão oficial dos separatistas e do Kremlin tem sido sempre a mesma: se há russos a combater no Leste da Ucrânia, eles estão lá por sua livre vontade – são voluntários; quando as forças ucranianas capturaram dez pára-quedistas russos, na segunda-feira passada, foi porque eles se perderam e entraram em território ucraniano "sem intenção".

Devido à sua situação precária, o Exército ucraniano é também ajudado por voluntários, que combatem em vários batalhões, como o Donbass, o Azov ou o Dnipro. Apesar de a esmagadora maioria destes voluntários ser de origem ucraniana, no dia 20 de Agosto foi notícia a morte de Mark Gregory Paslawsky, de 55 anos, um antigo militar norte-americano nascido em Nova Iorque e que vivia na Ucrânia há duas décadas.

Novo objectivo é Mariupol
Não obstante os indícios de que o Exército ucraniano estava a alcançar uma superioridade militar em Donetsk e Lugansk, a verdade é que os separatistas lançaram, nos últimos dias, uma ofensiva mais a sul, conquistando uma parte importante da cidade de Novoazovsk.

É a partir desta cidade com cerca de 13.000 habitantes, situada na costa do mar de Azov e a apenas 20 quilómetros da fronteira com a Rússia, que os separatistas pretendem forçar o seu caminho até Mariupol, uma cidade com meio milhão de habitantes que tem servido de base às forças ucranianas na província de Donetsk.

Foi o próprio primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk quem confirmou essa estratégia, na entrevista ao canal Rossiya 24: "Se tomarmos Mariupol, a segunda maior cidade da região de Donetsk, isso permitir-nos-á expandir as nossas unidades com mais 5000 ou 7000 pessoas."

Com um eventual sucesso militar em Mariupol, os separatistas poderiam depois seguir mais para oeste, em direcção à Crimeia, a península anexada pela Rússia em finais de Março, o que lhes daria o controlo do petróleo e das riquezas naturais de todo o mar de Azov.

Este cenário – mas, acima de tudo, a acusação da Ucrânia, dos Estados Unidos e da NATO de que a Rússia tem soldados e equipamento militar em território ucraniano – deixa a União Europeia numa posição delicada, poucos dias depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter ido a Kiev dizer que não há uma solução militar para este conflito e que todas as partes devem cessar de imediato as hostilidades, num apelo implícito a um cessar-fogo que o Presidente ucraniano continua a recusar.

Foi neste contexto que Petro Poroshenko decidiu nesta quinta-feira cancelar uma visita oficial à Turquia e anunciar uma reunião de emergência do seu Conselho de Defesa e Segurança Nacional.

Fonte: Publico




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